Arrancaram-se os ossos
A carne
Os olhos
Todas as vísceras
Queimaram tudo
Enterraram as cinzas na lama
Invocaram-se magias
Destroçaram-lhe o espírito
Sem inferno, céu ou purgatório
O Amontoado de plasmas sem rumo
Acabou sendo lacrado
Queimaram-lhe a casa
Os escritos
Mataram seus entes
Matou-se quem fez tudo isso
E quem matou quem havia matado
Mas no fim, havia sobrado
Apesar de tudo,
Sobrou
E seguiu assombrando.
terça-feira, 7 de abril de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
Poça de lama
Isso
Nunca começou
Nunca terminou
Nunca vai parar
Vai seguir sua trajetória
Não vai parar nunca
Quando chegar o momento
Vai voltar
Mais uma vez
E continuar
Sem parar
Sem algo que alcance
Sem algo à frente que barre
Sem parar
Vai continuar
Não de onde parou
Porque nunca parou
Nunca começou
Sempre existiu e
sempre vai existir
E vai continuar
sem parar
nada vai impedir
como nunca impediu
Porque nada veio antes para tanto
E nada vai existir depois
Sempre houve e sempre haverá
Antes de tudo e depois de nada
Nunca para
Nunca começou
Nunca terminou
Nunca vai parar
Vai seguir sua trajetória
Não vai parar nunca
Quando chegar o momento
Vai voltar
Mais uma vez
E continuar
Sem parar
Sem algo que alcance
Sem algo à frente que barre
Sem parar
Vai continuar
Não de onde parou
Porque nunca parou
Nunca começou
Sempre existiu e
sempre vai existir
E vai continuar
sem parar
nada vai impedir
como nunca impediu
Porque nada veio antes para tanto
E nada vai existir depois
Sempre houve e sempre haverá
Antes de tudo e depois de nada
Nunca para
O remorso do almoço infinito
O que você faz aqui?
Aquele dia
Aquilo que houve
Foi coisa de momento
O que você quer?
Que eu peça perdão? Que eu me me responsabilize
Que eu visite o fruto do que fiz com você?
E você, veio fazer o que aqui? Deixei a porta trancada.
Aquela hora
Eu não tinha prestado atenção
Bebi demais
Nem sei seu nome
Aconteceu de repente e quando acabou
Eu fugi
Você queria que eu mandasse flores?
Você também? Por quê?
Eu não tive escolha, era uma ou outra
E você?
Eu estava só fazendo o que me pediram.
Por que estão aqui? O que vieram cobrar?
Eu estou almoçando
É um momento sagrado
Não convidei ninguém
Querem que eu me ajoelhe? Peça perdão?
Isso não vai mudar nada, não vai voltar o tempo
Querem que eu me arrependa. Não.
Fiz e não me arrependo
E ainda que assim fosse
Que diferença faria?
Eu não pedi para virem aqui
Eu não quero vocês aqui
Estou almoçando
Podem respeitar esse momento?
E voltar de onde vieram?
Ninguém precisa saber
E nem vai
Quem vai acreditar?
Não vão destruir minha vida
Só por que vocês não mais a têm
Seguirei jantando
Fiquem assistindo
Não sairei tão cedo daqui
Aquele dia
Aquilo que houve
Foi coisa de momento
O que você quer?
Que eu peça perdão? Que eu me me responsabilize
Que eu visite o fruto do que fiz com você?
E você, veio fazer o que aqui? Deixei a porta trancada.
Aquela hora
Eu não tinha prestado atenção
Bebi demais
Nem sei seu nome
Aconteceu de repente e quando acabou
Eu fugi
Você queria que eu mandasse flores?
Você também? Por quê?
Eu não tive escolha, era uma ou outra
E você?
Eu estava só fazendo o que me pediram.
Por que estão aqui? O que vieram cobrar?
Eu estou almoçando
É um momento sagrado
Não convidei ninguém
Querem que eu me ajoelhe? Peça perdão?
Isso não vai mudar nada, não vai voltar o tempo
Querem que eu me arrependa. Não.
Fiz e não me arrependo
E ainda que assim fosse
Que diferença faria?
Eu não pedi para virem aqui
Eu não quero vocês aqui
Estou almoçando
Podem respeitar esse momento?
E voltar de onde vieram?
Ninguém precisa saber
E nem vai
Quem vai acreditar?
Não vão destruir minha vida
Só por que vocês não mais a têm
Seguirei jantando
Fiquem assistindo
Não sairei tão cedo daqui
A pinta
Não sei quem você é
De onde é
O que faz ou fez
Ou deixou de fazer
Não sei quem ama
Quem odeia
Não sei se me ama
Se me odeia
Se me ignora
Não sei se sabe da minha existência
Eu também não sei quase nada sobre você
Só estou vendo
a sua pinta
perto da sua boca
na sua bochecha
Uma pinta com campo gravitacional
De mil Júpiteres
Eu não consigo
Parar de olhar
A sua pinta
No seu rosto
De onde é
O que faz ou fez
Ou deixou de fazer
Não sei quem ama
Quem odeia
Não sei se me ama
Se me odeia
Se me ignora
Não sei se sabe da minha existência
Eu também não sei quase nada sobre você
Só estou vendo
a sua pinta
perto da sua boca
na sua bochecha
Uma pinta com campo gravitacional
De mil Júpiteres
Eu não consigo
Parar de olhar
A sua pinta
No seu rosto
Fogo é amor
O fogo preto
Saindo dos túmulos
Com fumaças azuladas
A fumaça branca de um fogo cinza
Fogo prateado
Fogo dourado
Fogo bronzeado
Fogo da brasa
Fogo vermelho
Jorrando como sangue
Explodindo
Expelido chorume amarelo
Com uma espessura verde
O fogo roxo
Com cheiro rosa
Que atrai e envenena
O fogo transparente
Matando lentamente
fazendo o corpo doente
mostrar o que sente
Fogo marrom
aterrando tudo
Com gosto de terra de cemitério
O fogo do esqueiro
Deixando o pulmão preto
Expelir a fumaça branca
O fogo corrói tudo
Derrete
Carboniza
Mata e reinventa
Transforma branco em preto
E preto em branco
Faz experiências bizarras
Dentro de nós
O fogo que não se apaga nunca
Que nunca morreu
Nem morrerá
Uma chama eterna
Um brilho sem fim
Destruindo tudo
Para que tudo se reinicie
A redenção é pelo fogo
Por isso vamos todos queimar
Vamos cair na lava e
Sermos fritos
Cozidos
Assados
Defumados
Ainda vivos
Vamos arder
Vamos à dor
Fogo é amor
Saindo dos túmulos
Com fumaças azuladas
A fumaça branca de um fogo cinza
Fogo prateado
Fogo dourado
Fogo bronzeado
Fogo da brasa
Fogo vermelho
Jorrando como sangue
Explodindo
Expelido chorume amarelo
Com uma espessura verde
O fogo roxo
Com cheiro rosa
Que atrai e envenena
O fogo transparente
Matando lentamente
fazendo o corpo doente
mostrar o que sente
Fogo marrom
aterrando tudo
Com gosto de terra de cemitério
O fogo do esqueiro
Deixando o pulmão preto
Expelir a fumaça branca
O fogo corrói tudo
Derrete
Carboniza
Mata e reinventa
Transforma branco em preto
E preto em branco
Faz experiências bizarras
Dentro de nós
O fogo que não se apaga nunca
Que nunca morreu
Nem morrerá
Uma chama eterna
Um brilho sem fim
Destruindo tudo
Para que tudo se reinicie
A redenção é pelo fogo
Por isso vamos todos queimar
Vamos cair na lava e
Sermos fritos
Cozidos
Assados
Defumados
Ainda vivos
Vamos arder
Vamos à dor
Fogo é amor
sexta-feira, 20 de março de 2015
As saídas do cemitério
Do céu e para o inferno
De um calor corrosivo do centro da terra
Para o calor do sol
Da cegueira intensa da escuridão
Para a cegueira intensa da luz solar
Das torturas e ressentimentos
Para as inquisições morais
Do tridente, rabo e chifres
Para o cajado, a barba e a onipresença
O poder de vida e morte
O poder sobre tudo
Entre deuses e demônios
Fico apenas vagando num cemitério gelado, com seu frescor pálido
Com seus ventos fúnebres
A escolha é difícil no purgatório
Ninguém por aqui quer ser eternamente torturado no inferno
Nem no céu, no qual qualquer erro te leva direto para longe
Como não somos plenamente bons, nem conseguiremos, não temos céus
Como não somos plenamente maus, nem conseguiremos, não teremos inferno
Cabe a cova, nosso lugar
Desistimos de procurar um destino
E descansamos
De um calor corrosivo do centro da terra
Para o calor do sol
Da cegueira intensa da escuridão
Para a cegueira intensa da luz solar
Das torturas e ressentimentos
Para as inquisições morais
Do tridente, rabo e chifres
Para o cajado, a barba e a onipresença
O poder de vida e morte
O poder sobre tudo
Entre deuses e demônios
Fico apenas vagando num cemitério gelado, com seu frescor pálido
Com seus ventos fúnebres
A escolha é difícil no purgatório
Ninguém por aqui quer ser eternamente torturado no inferno
Nem no céu, no qual qualquer erro te leva direto para longe
Como não somos plenamente bons, nem conseguiremos, não temos céus
Como não somos plenamente maus, nem conseguiremos, não teremos inferno
Cabe a cova, nosso lugar
Desistimos de procurar um destino
E descansamos
quarta-feira, 18 de março de 2015
Dentro da terra
No meio do mangue
Dentro da terra
Escondido nas cavernas
Enraizado
Atolado
Empoeirado
Cavo cada vez mais
Passo pelo futuro e pelo passado
Ramifico o tempo
Com raízes que sugam lembranças
Lambanças
De tempos
Achados
E perdidos
E pedidos
E esquecidos
Num vendaval cronológico
Tudo vai embora
Mas sigo na oca
Criando mais raízes
Os ventos de Cronos
Seguirão sua trajetória
Até outras dimensões
Com as lembranças
Mas eu fico aqui
Segurado em minhas raízes
Segurando em galhos com minhas prezas
Depois do vendaval, hora de criar de novo
Uma nova casa
Com novas lembranças e expectativas
Novos passados e futuros
Dentro da terra
Escondido nas cavernas
Enraizado
Atolado
Empoeirado
Cavo cada vez mais
Passo pelo futuro e pelo passado
Ramifico o tempo
Com raízes que sugam lembranças
Lambanças
De tempos
Achados
E perdidos
E pedidos
E esquecidos
Num vendaval cronológico
Tudo vai embora
Mas sigo na oca
Criando mais raízes
Os ventos de Cronos
Seguirão sua trajetória
Até outras dimensões
Com as lembranças
Mas eu fico aqui
Segurado em minhas raízes
Segurando em galhos com minhas prezas
Depois do vendaval, hora de criar de novo
Uma nova casa
Com novas lembranças e expectativas
Novos passados e futuros
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
O som do sino
O sino me dá sono, sua corda me acorda
O sono me dá sina, meu despertar me desespera
Meu desespero me dá sono, o sono me dá sonhos
Os sonhos me dão você, você me dá sina
A sina me faz cenas, as cenas me dão um sinal
O sinal é um som
O som do sino
Que me dá sono, mas está sendo balançado
Pela corda, que me acorda
É outro dia
O sono me dá sina, meu despertar me desespera
Meu desespero me dá sono, o sono me dá sonhos
Os sonhos me dão você, você me dá sina
A sina me faz cenas, as cenas me dão um sinal
O sinal é um som
O som do sino
Que me dá sono, mas está sendo balançado
Pela corda, que me acorda
É outro dia
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Continuando a regredir, voltando a continuar
Nos meus sonhos, pesadelos,
Nos delírios, no realismo
Quase morto, quase vivo
Totalmente morto ou totalmente vivo
Na divisa
Por todos esses caminhos se procura alguma razão por que permanecer vivo
Por que, afinal, seguir no plano material, e não optar pela desintegração
Por que virar um espírito depois da morte,
e não apenas deixar de existir completamente
São alternativas que imaginamos ter
Tanto nos sonhos como nos pesadelos
Tanto nos delírios como no realismo
Mas não temos
O fim será um só, sem chance de erro
Sem margem para dúvidas
Mas até lá, fica a questão
E antes dela, por que seguir
Continuar, quaisquer que sejam as alternativas que imaginamos possíveis
Posso estar errado quanto ao que decidi, decido e venha a decidir
Mas quem garante que eu esteja errado, no fim de tudo?
Quem nos julgará quando até mesmo esta espécie
deixar de existir?
E depois o planeta,
O sol, e todo o sistema solar?
Haverá juízes em determinada ocasião?
E advogados, haverá? Um de defesa, um promotor, testemunhas...
E a pena seria qual? De morte, de vida?
Ou algo tão terrível que fuja desse conceito
sobre o qual talvez sequer exista alguma palavra para descrevê-lo?
Por ora, só caminho
Aqui onde conheço bem
Nos delírios, no realismo
Quase morto, quase vivo
Totalmente morto ou totalmente vivo
Na divisa
Por todos esses caminhos se procura alguma razão por que permanecer vivo
Por que, afinal, seguir no plano material, e não optar pela desintegração
Por que virar um espírito depois da morte,
e não apenas deixar de existir completamente
São alternativas que imaginamos ter
Tanto nos sonhos como nos pesadelos
Tanto nos delírios como no realismo
Mas não temos
O fim será um só, sem chance de erro
Sem margem para dúvidas
Mas até lá, fica a questão
E antes dela, por que seguir
Continuar, quaisquer que sejam as alternativas que imaginamos possíveis
Posso estar errado quanto ao que decidi, decido e venha a decidir
Mas quem garante que eu esteja errado, no fim de tudo?
Quem nos julgará quando até mesmo esta espécie
deixar de existir?
E depois o planeta,
O sol, e todo o sistema solar?
Haverá juízes em determinada ocasião?
E advogados, haverá? Um de defesa, um promotor, testemunhas...
E a pena seria qual? De morte, de vida?
Ou algo tão terrível que fuja desse conceito
sobre o qual talvez sequer exista alguma palavra para descrevê-lo?
Por ora, só caminho
Aqui onde conheço bem
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Magnetização
Vejo você
Te ouço
Todos os meus sentidos sentem você
Uma atração impossível de parar
Tão forte quanto o magnetismo
Somos opostos, por isso não consigo parar de ser atraído
Eu me atraio
Me atraio
Me traio
Tropeço
Peço
Por mais movimentos
Seguirei sendo atraído por você
Como uma barra de cobre que não consegue se cobrir do seu alto grau de eletricidade
Que eu chegue até você
E seja feliz sendo eletrocutado
Todas as minhas veias sentindo
Sua voltagem vindo
Voltando
Indo
Seguindo sua trajetória indomável
Te ouço
Todos os meus sentidos sentem você
Uma atração impossível de parar
Tão forte quanto o magnetismo
Somos opostos, por isso não consigo parar de ser atraído
Eu me atraio
Me atraio
Me traio
Tropeço
Peço
Por mais movimentos
Seguirei sendo atraído por você
Como uma barra de cobre que não consegue se cobrir do seu alto grau de eletricidade
Que eu chegue até você
E seja feliz sendo eletrocutado
Todas as minhas veias sentindo
Sua voltagem vindo
Voltando
Indo
Seguindo sua trajetória indomável
Ostentação da inveja
Sim, senti orgulho da inveja que atraíres
Permanecei os privilegiados de causar um sentimento tão repugnante
Considerai mesmo todas críticas fruto dela
Agradecei o vosso voo, disparado pelo ódio e derrota dos que vos odeiam
Colecionai inimigos: são vossos troféus
Empalhados na vossa parede da vitória
Dai beijos em vossos próprios ombros
Não tentes defeito, nunca penseis isso
Qualquer crítica é fruto do vosso sucesso inquestionável
Vossa qualidade que causa tanto ódio, rancor, destruição dos inimigos e inveja
Senti orgulho disso
Vencedores
Quem são os outros para vos criticarem?
Para questionar vossa óbvia superioridade
Só podem ser perdedores
Perdedores
Que vivam para vos ver crescer
Que se mutilem por isso, cada gota de sangue deles e um litro do vosso sucesso
Que vos odeiem
Cada novo ódio que conquista é mais importante que qualquer novo amor
Vida longa à inveja e ao ódio
Que continuem trazendo só alegria a todos
Feliz ano novo.
Permanecei os privilegiados de causar um sentimento tão repugnante
Considerai mesmo todas críticas fruto dela
Agradecei o vosso voo, disparado pelo ódio e derrota dos que vos odeiam
Colecionai inimigos: são vossos troféus
Empalhados na vossa parede da vitória
Dai beijos em vossos próprios ombros
Não tentes defeito, nunca penseis isso
Qualquer crítica é fruto do vosso sucesso inquestionável
Vossa qualidade que causa tanto ódio, rancor, destruição dos inimigos e inveja
Senti orgulho disso
Vencedores
Quem são os outros para vos criticarem?
Para questionar vossa óbvia superioridade
Só podem ser perdedores
Perdedores
Que vivam para vos ver crescer
Que se mutilem por isso, cada gota de sangue deles e um litro do vosso sucesso
Que vos odeiem
Cada novo ódio que conquista é mais importante que qualquer novo amor
Vida longa à inveja e ao ódio
Que continuem trazendo só alegria a todos
Feliz ano novo.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
No parque do Inferno
Duas crianças estavam se banhando num rio de sangue quente, numa vila do Inferno
Elas se esbaldavam
Na vila, havia todo tipo de gente ruim
E naquela semana havia um demônio para fazer inspeções
Para saber se as penas estavam sendo cumpridas
Longe dali, havia o Centro do Inferno
Onde as decisões são tomadas
Chegou aos ouvidos de Lúcifer uma denúncia preocupante:
O Inferno, onde todos deviam sofrer eternamente em torturas e pagar pelos seus crimes
Estava tendo seus princípios violados
Afinal, seria um paradoxo qualquer prazer dentro dali
Por isso mandou o tal demônio inspetor àquela pequena vila
Ao chegar lá e ver as crianças se divertindo no rio, nadando, brincando, logo chamou suas atenções
-Crianças malditas, por que estão felizes, isso é proibido aqui! Voltem a sentir nojo do sangue, das carnes podres, voltem a sentir dor de queimadura
E as crianças responderam:
- Nós viemos parar aqui porque não obedecemos essas mesmas regras quando vivos. Fomos mortos com base nas mesmas regras, que nos amaçavam ter como punição vir ao Inferno
- Eu sei, mas é para sofrer, parem de achar graça, de se divertir
- Mas por que somos obrigados a sofrer? Por acaso estamos fugindo das sessões de tortura? Estamos faltando às aulas de espancamento? Ferimos alguma regra do Inferno?
O demônio pensou, e, então, voltou
No seu caminho, havia muita gente que ele, particularmente, achava chata
Gente que pegava nele, dizendo que fez o que fez por acreditar que é certo, que estava arrependido, que não merecia ficar sofrendo no Inferno.
- Sai daqui!, gritava, chutava-os, espancava-os, com muita raiva
Quando voltou ao Palácio, o demônio inspetor disse ao seus superior:
- Majestade, não havia nenhuma lesão às regras do Inferno.
- Mas havia crianças felizes no rio de sangue
- Sim, mas elas estavam junto com outras pessoas, que me suplicavam para sair dali, diziam que não mereciam estar no Inferno, que não sabiam que erraram, ou que estavam arrependidas. Aquela chatice de sempre. Elas nem sabiam que, na prática, podem sair do rio, ou do inferno, mas continuam achando que não merecem sofrer, que nunca voltarão a fazer nada de errado. Por isso continuam lá. Estão presas.
- E as crianças?
- Os que as executou estão no rio também, lamentando. Elas não. Não estão arrependidas nem acham que não mereciam estar aqui. Devo puni-las?
- Não, mas acho que quem está as denunciando para nós é um dos executores. Parece que ele já está sendo muito punido. Além de estar no Inferno, acha que não merece estar aqui e tem inveja dos pecadores que mandou executar. Não há o que eu possa fazer para punir essa pessoa. Quando ela veio aqui pedir a inspeção, senti algo próximo do que os humanos chamam de nojo. Ela já está mal o suficiente.
Elas se esbaldavam
Na vila, havia todo tipo de gente ruim
E naquela semana havia um demônio para fazer inspeções
Para saber se as penas estavam sendo cumpridas
Longe dali, havia o Centro do Inferno
Onde as decisões são tomadas
Chegou aos ouvidos de Lúcifer uma denúncia preocupante:
O Inferno, onde todos deviam sofrer eternamente em torturas e pagar pelos seus crimes
Estava tendo seus princípios violados
Afinal, seria um paradoxo qualquer prazer dentro dali
Por isso mandou o tal demônio inspetor àquela pequena vila
Ao chegar lá e ver as crianças se divertindo no rio, nadando, brincando, logo chamou suas atenções
-Crianças malditas, por que estão felizes, isso é proibido aqui! Voltem a sentir nojo do sangue, das carnes podres, voltem a sentir dor de queimadura
E as crianças responderam:
- Nós viemos parar aqui porque não obedecemos essas mesmas regras quando vivos. Fomos mortos com base nas mesmas regras, que nos amaçavam ter como punição vir ao Inferno
- Eu sei, mas é para sofrer, parem de achar graça, de se divertir
- Mas por que somos obrigados a sofrer? Por acaso estamos fugindo das sessões de tortura? Estamos faltando às aulas de espancamento? Ferimos alguma regra do Inferno?
O demônio pensou, e, então, voltou
No seu caminho, havia muita gente que ele, particularmente, achava chata
Gente que pegava nele, dizendo que fez o que fez por acreditar que é certo, que estava arrependido, que não merecia ficar sofrendo no Inferno.
- Sai daqui!, gritava, chutava-os, espancava-os, com muita raiva
Quando voltou ao Palácio, o demônio inspetor disse ao seus superior:
- Majestade, não havia nenhuma lesão às regras do Inferno.
- Mas havia crianças felizes no rio de sangue
- Sim, mas elas estavam junto com outras pessoas, que me suplicavam para sair dali, diziam que não mereciam estar no Inferno, que não sabiam que erraram, ou que estavam arrependidas. Aquela chatice de sempre. Elas nem sabiam que, na prática, podem sair do rio, ou do inferno, mas continuam achando que não merecem sofrer, que nunca voltarão a fazer nada de errado. Por isso continuam lá. Estão presas.
- E as crianças?
- Os que as executou estão no rio também, lamentando. Elas não. Não estão arrependidas nem acham que não mereciam estar aqui. Devo puni-las?
- Não, mas acho que quem está as denunciando para nós é um dos executores. Parece que ele já está sendo muito punido. Além de estar no Inferno, acha que não merece estar aqui e tem inveja dos pecadores que mandou executar. Não há o que eu possa fazer para punir essa pessoa. Quando ela veio aqui pedir a inspeção, senti algo próximo do que os humanos chamam de nojo. Ela já está mal o suficiente.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
domingo, 16 de fevereiro de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Futuro velho
O futuro está velho
Está enferrujado
Corroído pelo tempo
Destruído pelo passado e presente
Um futuro gagá
Futuro seboso
Mofado
Está enferrujado
Corroído pelo tempo
Destruído pelo passado e presente
Um futuro gagá
Futuro seboso
Mofado
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
O frio
Sou gelado
Aquela criatura repulsiva, que assusta a todos com seu ar frio
Quieto. Calado. Congelado.
Não teria sobrado um só sentimento?
Estaria eu já alcançado o zero absoluto?
As paredes de gelo em torno de mim, porém, não são inquebráveis.
Continuo sólido e frio à medida que fogem do gelo.
Mas posso derreter
Bastando um olhar caloroso
Aquela criatura repulsiva, que assusta a todos com seu ar frio
Quieto. Calado. Congelado.
Não teria sobrado um só sentimento?
Estaria eu já alcançado o zero absoluto?
As paredes de gelo em torno de mim, porém, não são inquebráveis.
Continuo sólido e frio à medida que fogem do gelo.
Mas posso derreter
Bastando um olhar caloroso
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