sexta-feira, 21 de maio de 2010

Furta-cor

Forma-se uma roda em torno de mim
Gira a roda, como um peão
Como um furta-cor

Destrói as cores da primavera
Tranforma tudo em luz

Na luz da eterninidade

Um novo acordo

Acordo nuclear
Durmo paranóico

Apoixono-me destruidor
Desiludo-me contracensor

Molho a água
Gelo o gelo
Chamo a chama

Nada acontece
Não era para acontecer?

domingo, 28 de março de 2010

Ceder

Cedo
Cedo demais

E me sedo
Para fugir dos meus fantasmas

Mas eles têm sede

E querem sempre mais

sábado, 5 de dezembro de 2009

Por mais que eu queira

Atração
Por mais que eu me afaste, ela me trai

Alteração
Por mais que eu mude, volto mudo

Alcance
Por mais que eu tente, canso

Vingança
Por mais que eu queira, não existe

sábado, 21 de novembro de 2009

Até a hora

Quantas vezes?
minha lembrança terá que ir até você?

Procurar por você em outrem?
Amá-la e odiá-la por milésimos de diferença?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Algo

Minha poesia não é metalinguística
Nem paradoxal
Muito menos contraditória

Minha poesia é nada
Não é nada

É algo

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sou metálico

Tentando me encontrar
Tentando fundir e destroçar as correntes que me agarram
E me arrastam

Como um corpo morto
Essas correntes são metálicas
Eu também

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Tudo parou

Tudo parou

Os pássaros fixaram-se no ar
Os peixes na água
As pessoas pararam

O homem que acendia um cigarro não o tem mais
O homem que cortava o cabelo continua o tendo
A mulher que esperava um taxi segue esperando
O taxi parou

O trânsito segue igual
Os carros parados
As pessoas dentro dos carros paradas
As músicas dos rádios desses carros paradas
Ficaram monossónicas, presas na fixação
Que inundou o mundo

Acabaram-se as guerras
Acabou-se a fome
A Amazônia não mais sofre

Não existe mais dia
Não existe mais noite
Não existe mais ano

Só existe o infinito fixo

E assim acaba-se o mundo:

O oposto do fim

Todos contra todos, um por um

Todos contra todos, um por um

Querendo dormir

Um lado meu quer dormir
O outro, ficar acordado

Dois lados meus querem dormir
O outro, ficar acordado

Três lados meus querem dormir
O outro, ficar acordado

Quatro lados meus querem dormir
O outro, ficar acordado

Todos os meus lados querem dormir
O outro, ficar

O quarto tempo

Não existe só o presente, o passado e o futuro

Existe também o tempo paralelo, o quarto tempo

Nele, você não fez o que fez no passado
Nele, você não fará o que de fato fará, de forma previsível

Nele, as coisas parecem andar nos trilhos

Esse tempo existe
Por não existir

Passado assombroso

O passado
Assombra-me
Arranca-me a carne de forma impiedosa

O presente está comprimido entre dois tempos
Comprimido que me relaxa

O futuro
Destrói-me quando o vejo olhando para o passado
Relaxa-me quando o vejo olhando para o presente
Enlouquece-me quando o vejo olhando para o futuro

Fim da lógica

Vamos arrancar a lógica da terra
Retirar suas raízes

Suas folhas, quero-as secas
Seus frutos, podres

Suas sementes, inativas

Para tornar o mundo um pouco mais divertido
Cheio de pés de porcos
Pés de galinhas
Cogumelos lendo o jornal de amanã

Árvores comendo humanos
Só os lógicos, só os lógicos