domingo, 22 de maio de 2011

Cercado pelo nada

Cercado de solidão
Por onde vejo, não há nada a ver

Por onde passo, só há vultos e vozes
Tentando me calar - e conseguindo

Como posso, afinal, lutar contra o nada?
Lutar contra o vazio, a solidão, se eles são a inexistência?

Seria mais fácil esmurrar uma parede de concreto e derrubá-la
Concreto
Como minha alma fica a cada passo que dou
Que não dou

Cada vez mais opaco, cada vez duro

terça-feira, 17 de maio de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Doce inferno

Onde estamos?
Para onde estamos?
Quando estamos?

E por quê?

Destruir o inimigo parece mais díficil
Quando ele não é você
Doce ilusão

Doce como o inferno
E seus dragões
Loucos

Onde brincamos na gangorra do ódio
Indo e vindo no balanço da solidão
Escorregando na frustração
Girando na auto-piedade

Mas se já estamos no inferno
Para onde vamos?

domingo, 23 de janeiro de 2011

Quilate

Cachorros que latem
Sem quilate
Andando sem rumo
Com suas quatro ou três patas
Com o que restou de seus pêlos
Revirando latas

Eles me seguem
Pensando ter achado um dono
Pensando apagar o dano

Eles me seguem
Sem saber que seu ex-futuro dono
Também não tem rumo

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ótica

O dobro virou metade
Dobrando temos metade
De um papel

A vida segue seu rumo
Com sadismo e solidão
De um papel

Em branco
Mas olhe pelo lado negativo:
Podia ser preto

Olhe pelo lado realista
Devia ser transparente

Espelho

Eu ando tão rápido
Eu ando tão só

Eu sigo pessoas
Eu sigo sozinho

Pareço medroso
Pareço dar medo

E sou um espelho
Que reflete tal medo

E amedronta no meio da luz
E é esquecido na escuridão

Que conduz
Todos ao meu redor

A uma pequena reflexão
Se o reflexo é mesmo real
Se na verdade não há outro lado

Através do espelho

sábado, 18 de dezembro de 2010

A areia

Não sei o que sinto
E esse sentimento é algo que não sei

Estou numa areia movediça
Me afundo
Afundo

Afundo
Até que consigo ver o outro lado

É tão desconhecido
E esse desconhecimento é algo que não sei

É tão novo
E essa novidade se renova a cada segundo
Se tornando cada vez mais velha

Até eu emergir da areia

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Única

Uma estrela qualquer
Segue uma estrela

Um mesmo furacão
Segue furacão

Mesmo que você seja um gão de areia
Será um só grão

Mas sem ele, tudo é deserto

Mesmo que o sol, para nós, seja único
Será só mais um sol, perto de você

sábado, 11 de dezembro de 2010

Distante


Só Lá
Solar
Sem lar

Lunático
Fanático
Distante
Errante
Como antes

Como Plutão
Bebo a Terra
Suo o sol
Lustro a lua

sábado, 4 de dezembro de 2010

Avesso

Me precipito
No precipício
Em chamas
No meio do gelo
Seco
No meio do mar

Avesso sem precisar do espelho
Sombrio sem precisar de luz
Finalizado antes de iniciado

Varrido antes de virar pó

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nem tudo o que aparece, é

O que era causa
Virou consequência

O que era recomeço
Virou o fim

O que virou estrada
Não passa de cerca
E não passamos por ela

Olhe aqui, obedeça
Seja consciente

Olha já, não esqueça
Seja competente

Não se importe se o dia vai amanhcer belo
O que não tem volta, revoltado está

O que parecia fim
Virou ponto de partida

O que aparecia a mim
Inexistia

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O fim do mundo

Qual será o fim do mundo
Ou ele não tem fim algum?

Ele acaba e eu começo
Ele termina e eu encho
Ele suspira e eu sopro
Ele imagina e eu sou fruto dela
Ele se suicida e eu reencarno

O mundo tem um fim

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O abismo

Sinceramente
Só um olhar faria a diferença

Ainda que frio

Caio no abismo entre a realidade e o desejo
Destroçado no chão, tento um revide
Subo bem alto
E caio

E o que era impossível não aconteceu